O vinho, as uvas, e o cheiro de tudo isto
Na semana passada levei um grupo do trabalho a fazer vindimas. O que ninguém sabia é que as vindimas têm um lugar especial no meu coração. Todos os anos, a minha família numerosa reunia-se numa aldeia para, de tesoura e balde na mão, apanharmos os cachos de uvas, enquanto conversávamos quase um ano de ausências e saudade. Anos volvidos, tudo isso ficou lá atrás. Os elementos agregadores da família numerosa já não existem - pelo menos não na sua plenitude, - e com o seu desaparecimento, desapareceu também esta grande festa que nos reunia a todos. E o que poucos sabiam é que fiz um doutoramento nesta área, procurando para ela contribuir com Ciência. E que este doutoramento procurou ser o mais aplicado possível, misturando a vida no laboratório e atrás do computador, com a azáfama e os cheiros da adega. Assim, quando na semana passada cheguei com o grupo à adega de manhã cedo, e vi o chão molhado, as mangueiras espalhadas, e aquele aroma no ar, voltou tudo a morar em mim. Não consegui evi...