Flexibilidade Músculo-Psicológica
Percebi que, algures no tempo, me esqueci da minha palavra-pass e criei outro utilizador que me permite apenas escrever e não editar nada de estético aqui no blog.
Parecendo que não, isso fez-me rir. Fez-me rir porque, de certa forma, me conecta à pessoa que começou este blog. Que aqui começou a escrever quando a Vida ainda não lhe tinha dado umas quantas tareias.
Na minha essência, continuo a mesma. A mesma que escorrega e fura uma meia, a mesma que deixa cair a carteira dentro da sanita, a mesma que não consegue atinar numa aula de Zumba.
Ao mesmo tempo, sinto que já não sou a mesma que insere piadas secas nos contextos mais absurdos, e já não sou a mesma que fala sem cessar. Sinto que o Tempo me ensinou a olhar para mim, de fora para dentro, e me tirou qualquer coisa.
Deu-me maturidade, é certo, e capacidade de estar em silêncio - agora gosto muito mais de estar em silêncio. No entanto, também me tirou leveza e diversão. Será sempre assim o processo de crescimento? Chegarei ao ponto de me tornar seca e rabugenta? Ou terei a capacidade de me reinventar e de sempre criar e gerar coisas novas?
Sinto que o Brasil, e a ideia que dele alimentei, foi o meu balão de oxigénio por tanto tempo... Tanto tempo que agora, que o sonho vai desvanecendo, me sinto um pouco à deriva a perguntar-me se não há mais no Horizonte. Mais aventuras, mais por descobrir a dois, a três, em Família.
Aventuras profissionais que caminhem de mãos dadas com as familiares e nos permitam evoluir a todos simultaneamente. Sempre foi assim, sempre foi o que nos moveu.
A verdade é que, por estes dias, sinto uma certa energia de restruturação no ar, uma inquietação de nos estarmos a reposicionar, como quando nos mexemos na poltrona até encontrarmos a posição certa para ver um filme.
Por aqui, continuo nesta demanda de me voltar a encontrar. Comprei revistas, recomecei a ler, procurando alimentar o fluxo de criatividade com que sempre me identifiquei.
Apercebo-me agora, enquanto escrevo, de que há outro aspecto com que também sempre me identifiquei e que está completamente descurado.
A minha flexibilidade (flexibilidade real, de quem praticou ballet anos a fio) foi algo de que sempre me orgulhei. As pernas iam para onde eu queria, não percebia ao certo o que era isso de dor de alongamento, e era algo que fazia tão bem e tão sem esforço, que me dava motivos de orgulho. Mas, como aquela facadinha, à partida sem importância, também a minha flexibilidade se perdeu na maternidade e na vida.
E se a flexibilidade que perdi nos músculos, a perdi também na vida?
E se flexibilizar os meus tecidos signifique voltar a flexibilizar a minha mente, a minha personalidade? E se, voltando a trabalhar estes momentos, me permita voltar um bocadinho mais a mim e sentir-me em Casa neste corpo que ando a Habitar?
Sem dúvida que, se conseguir recuperar nem que seja 50% do que tinha, lhe darei mais valor agora.
Que bem que me faz vir aqui, Horta. Já fiquei com tema para meditação (e, espero, atuação).
Um check da semana passada:
- Journaling: 5 x (goal: 5x/semana)
- Escrevi no blog
- Fui nadar: 1x (goal: 2x/semana)
- Meditei 1x (goal: 3x/semana)
- Li um livro: 2x (goal: todos os dias) - terminei hoje o Mistério da Estrada de Sintra
Vemo-nos para a semana,
Batatinhas
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